Empresas que abrem duas ou três vagas por mês raramente precisam de anúncio pago. O que costuma faltar não é orçamento: é saber quais canais gratuitos rendem para que tipo de vaga, e o que cada um exige em troca de ser gratuito.
Este texto trata de canais, e não de marcas. Nomes de sites mudam, fecham e trocam de política de cobrança; o canal continua o mesmo, e é ele que decide se vale o seu tempo.
1. A sua própria página de carreiras
É o canal de maior retorno para quase toda empresa, e o mais ignorado. Uma vaga publicada numa página que os buscadores conseguem ler aparece nas buscas por cargo e cidade — que é como a maior parte das pessoas procura emprego — sem custo por candidatura e sem prazo de validade.
A contrapartida é de configuração, não de dinheiro: a página precisa dar endereço próprio a cada vaga e descrever o anúncio em formato de dado, não só em parágrafo. Feito uma vez, vale para todas as vagas seguintes.
2. Agregadores de vagas
Sites que reúnem anúncios de várias origens costumam ter uma porta de entrada gratuita: em vez de você cadastrar vaga por vaga, eles leem a sua página de carreiras ou um arquivo com as vagas abertas.
O alcance é grande e o esforço é próximo de zero depois de configurado. O que se perde é o controle sobre a apresentação, e às vezes sobre o caminho da candidatura: alguns agregadores levam a pessoa até o seu site, outros captam a candidatura neles mesmos e repassam.
3. Redes profissionais e redes sociais
Funcionam bem para vagas de escritório e mal para vagas operacionais — não por alcance, mas por quem está lá procurando. Uma vaga de analista rende dezenas de candidaturas; a mesma publicação para soldador ou auxiliar de produção costuma render pouco.
A publicação no perfil da empresa alcança principalmente quem já a segue, que costumam ser clientes e ex-colaboradores. A distribuição real vem do compartilhamento — e a variável que mais influencia é ter escrito o cargo e a cidade logo na primeira linha, antes do corte que a rede faz no texto.
4. Grupos de mensagem e comunidades locais
Existem aos milhares, organizados por cidade e por setor, e são onde boa parte dos candidatos de vagas operacionais efetivamente procura. O alcance por publicação é alto e imediato.
Duas advertências. A primeira é que o volume de candidaturas fora do perfil costuma ser grande, porque a mensagem circula sem os filtros de um portal — o que exige uma triagem mais trabalhosa. A segunda é de conformidade: currículos chegando por aplicativo de mensagens, na conta pessoal de alguém do RH, são dado pessoal armazenado num lugar que a empresa não controla e não consegue apagar depois. Se o canal for usado, vale direcionar a candidatura para um endereço da empresa em vez de receber anexos na conversa.
5. Parcerias institucionais
Agências públicas de emprego, escolas técnicas, universidades e associações comerciais mantêm murais e listas de vagas, quase sempre sem custo. O alcance é menor e mais lento, e em compensação o candidato chega mais qualificado para o perfil específico — é o canal que melhor funciona para vaga técnica, estágio e primeiro emprego.
Exige um contato humano inicial e alguma regularidade: quem manda vaga uma vez por ano não é lembrado.
O que decide mais do que o canal
Duas coisas influenciam o resultado mais do que a escolha de onde publicar.
O título. Deve ser o cargo pelo qual a pessoa procura, sozinho. "Profissional para atuar em rotinas administrativas" não é buscado por ninguém; "Auxiliar administrativo" é. Códigos internos, nome da empresa e palavras como "urgente" no título só diluem a correspondência.
A faixa salarial. Anúncios que informam a faixa recebem mais candidaturas e, sobretudo, menos candidaturas incompatíveis — o que reduz o trabalho de triagem mais do que qualquer filtro. Onde houver restrição para publicar o valor, uma faixa ampla já resolve boa parte do problema.
A recomendação prática, para quem tem pouco tempo: arrume a página de carreiras primeiro, ligue-a a um agregador, e só então avalie os outros três conforme o tipo de vaga que a empresa abre com mais frequência.