Recrutamento

Vaga falsa em nome da sua empresa: como reduzir o risco e o que fazer quando acontece

Golpes que usam o nome de empresas conhecidas para pedir dinheiro a candidatos são frequentes e não dependem de nenhuma falha do seu sistema. O que está sob seu controle é tornar a vaga verdadeira fácil de conferir.

4 min de leitura Equipe Nexius

Uma empresa com alguma visibilidade regional acaba, mais cedo ou mais tarde, descobrindo que existe um anúncio de emprego em nome dela que ela não publicou. O anúncio costuma ser convincente, usa o logotipo correto e leva a uma conversa em que alguém pede dinheiro ao candidato. Nenhum sistema de recrutamento impede isso, e vale dizer isso com clareza antes de qualquer recomendação.

Por que a sua empresa é usada

O golpe funciona por empréstimo de confiança. Quem procura emprego avalia um anúncio pela empresa que o assina, e um nome conhecido na cidade dispensa a checagem que a pessoa faria com um nome desconhecido. Não há nada de específico sobre a sua empresa nisso: ela foi escolhida por ser reconhecível, e é justamente o trabalho de marca empregadora bem feito que a torna atraente para esse uso.

O padrão que a vítima descreve é quase sempre o mesmo. O contato migra rapidamente para um aplicativo de mensagens. O processo é apresentado como urgente. Em algum momento aparece uma despesa: taxa de cadastro, exame admissional a ser pago antecipadamente, curso obrigatório, uniforme, kit de material. O valor é pequeno o bastante para não parecer absurdo diante de um emprego.

O que está sob o seu controle

Como o anúncio falso não passa por você, o que dá para fazer é reduzir a superfície e encurtar o tempo entre o aparecimento e a resposta.

Ter um lugar único e óbvio onde as vagas verdadeiras estão. É a medida de maior efeito e a mais barata. Quando existe uma página de carreiras oficial, conferir se a vaga é real vira uma consulta de dez segundos — e a recomendação "confira na nossa página" passa a ser acionável. Sem esse lugar, não há como orientar ninguém, porque não existe referência.

Dizer, no próprio anúncio, o que o processo nunca faz. Uma linha ao pé de cada vaga — que a empresa não cobra nada em nenhuma etapa e que o contato parte sempre de um domínio de e-mail que é o seu — custa nada e é o que a pessoa vai lembrar no momento em que alguém pedir um pagamento.

Manter os canais oficiais reconhecíveis. E-mails de recrutamento saindo do domínio da empresa, e não de contas gratuitas; o telefone de contato publicado no site; e, se houver comunicação por aplicativo de mensagens, um número divulgado publicamente. Cada canal ambíguo é um espaço em que a imitação passa despercebida.

Publicar em lugares que verificam quem anuncia. Portais que confirmam a posse do domínio antes de deixar alguém publicar em nome de uma empresa fecham a porta mais fácil — a de simplesmente cadastrar-se com o nome de outro.

Quando um caso aparece

A ordem importa, porque as primeiras horas são as que evitam vítimas.

  1. Registre a evidência antes de pedir remoção. Capturas de tela com data, endereços, números de telefone e o texto do anúncio. Uma vez removido, o conteúdo some — inclusive para a investigação.
  2. Peça a remoção onde ele está. Redes sociais e portais têm canais de denúncia de uso indevido de marca, e o pedido feito pela empresa titular costuma ser atendido rapidamente.
  3. Avise nos seus canais. Um aviso curto na página de carreiras e nas redes, dizendo qual é o processo real e que a empresa não cobra nada, alcança justamente quem está no meio da conversa com o golpista.
  4. Oriente quem foi contatado a registrar ocorrência. A empresa também pode registrar, na condição de titular da marca usada. Se houve pagamento, é o caminho para a pessoa tentar reaver.
  5. Comunique quem já está no seu processo seletivo. São os mais expostos: já esperam contato da empresa, e por isso desconfiam menos.

O que não ajuda

Duas reações comuns pioram a situação. A primeira é o silêncio, na esperança de que o caso passe: o candidato lesado vai atribuir o prejuízo à empresa de qualquer forma, e a ausência de aviso é o que transforma um golpe de terceiro em crise de reputação própria. A segunda é responder com um comunicado jurídico longo, que ninguém lê. O que funciona é curto, específico e no lugar onde a pessoa está olhando.

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  • golpe em processo seletivo
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  • proteção da marca empregadora
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