Uma empresa com alguma visibilidade regional acaba, mais cedo ou mais tarde, descobrindo que existe um anúncio de emprego em nome dela que ela não publicou. O anúncio costuma ser convincente, usa o logotipo correto e leva a uma conversa em que alguém pede dinheiro ao candidato. Nenhum sistema de recrutamento impede isso, e vale dizer isso com clareza antes de qualquer recomendação.
Por que a sua empresa é usada
O golpe funciona por empréstimo de confiança. Quem procura emprego avalia um anúncio pela empresa que o assina, e um nome conhecido na cidade dispensa a checagem que a pessoa faria com um nome desconhecido. Não há nada de específico sobre a sua empresa nisso: ela foi escolhida por ser reconhecível, e é justamente o trabalho de marca empregadora bem feito que a torna atraente para esse uso.
O padrão que a vítima descreve é quase sempre o mesmo. O contato migra rapidamente para um aplicativo de mensagens. O processo é apresentado como urgente. Em algum momento aparece uma despesa: taxa de cadastro, exame admissional a ser pago antecipadamente, curso obrigatório, uniforme, kit de material. O valor é pequeno o bastante para não parecer absurdo diante de um emprego.
O que está sob o seu controle
Como o anúncio falso não passa por você, o que dá para fazer é reduzir a superfície e encurtar o tempo entre o aparecimento e a resposta.
Ter um lugar único e óbvio onde as vagas verdadeiras estão. É a medida de maior efeito e a mais barata. Quando existe uma página de carreiras oficial, conferir se a vaga é real vira uma consulta de dez segundos — e a recomendação "confira na nossa página" passa a ser acionável. Sem esse lugar, não há como orientar ninguém, porque não existe referência.
Dizer, no próprio anúncio, o que o processo nunca faz. Uma linha ao pé de cada vaga — que a empresa não cobra nada em nenhuma etapa e que o contato parte sempre de um domínio de e-mail que é o seu — custa nada e é o que a pessoa vai lembrar no momento em que alguém pedir um pagamento.
Manter os canais oficiais reconhecíveis. E-mails de recrutamento saindo do domínio da empresa, e não de contas gratuitas; o telefone de contato publicado no site; e, se houver comunicação por aplicativo de mensagens, um número divulgado publicamente. Cada canal ambíguo é um espaço em que a imitação passa despercebida.
Publicar em lugares que verificam quem anuncia. Portais que confirmam a posse do domínio antes de deixar alguém publicar em nome de uma empresa fecham a porta mais fácil — a de simplesmente cadastrar-se com o nome de outro.
Quando um caso aparece
A ordem importa, porque as primeiras horas são as que evitam vítimas.
- Registre a evidência antes de pedir remoção. Capturas de tela com data, endereços, números de telefone e o texto do anúncio. Uma vez removido, o conteúdo some — inclusive para a investigação.
- Peça a remoção onde ele está. Redes sociais e portais têm canais de denúncia de uso indevido de marca, e o pedido feito pela empresa titular costuma ser atendido rapidamente.
- Avise nos seus canais. Um aviso curto na página de carreiras e nas redes, dizendo qual é o processo real e que a empresa não cobra nada, alcança justamente quem está no meio da conversa com o golpista.
- Oriente quem foi contatado a registrar ocorrência. A empresa também pode registrar, na condição de titular da marca usada. Se houve pagamento, é o caminho para a pessoa tentar reaver.
- Comunique quem já está no seu processo seletivo. São os mais expostos: já esperam contato da empresa, e por isso desconfiam menos.
O que não ajuda
Duas reações comuns pioram a situação. A primeira é o silêncio, na esperança de que o caso passe: o candidato lesado vai atribuir o prejuízo à empresa de qualquer forma, e a ausência de aviso é o que transforma um golpe de terceiro em crise de reputação própria. A segunda é responder com um comunicado jurídico longo, que ninguém lê. O que funciona é curto, específico e no lugar onde a pessoa está olhando.