Recrutamento

Página de carreiras: o mínimo para que suas vagas sejam encontradas

A maior parte das páginas de "trabalhe conosco" não é lida por buscador nenhum. O motivo raramente é o texto: é a ausência de três informações que o Google espera encontrar em formato de dado, e não de parágrafo.

4 min de leitura Equipe Nexius

Quase toda empresa de porte médio tem uma página de "trabalhe conosco". Quase nenhuma delas aparece quando alguém busca por uma das vagas que estão publicadas ali. A causa costuma ser atribuída ao texto, ao domínio ou à concorrência dos grandes portais — e quase nunca é isso. É que a página não diz ao buscador que aquilo é uma vaga.

O buscador não lê a página como você

Uma pessoa que abre a página entende, em dois segundos, que aquela lista é de vagas abertas: há um cargo em negrito, uma cidade ao lado e um botão de candidatura. Nada disso é evidente para um programa. Para ele, aquilo é um conjunto de textos dentro de caixas — e "Analista Fiscal" tem exatamente o mesmo estatuto que o nome de um produto, de um artigo do blog ou de um membro da diretoria.

Para que a página seja tratada como uma lista de vagas, cada anúncio precisa vir acompanhado de uma descrição em formato de dado: um bloco em JSON-LD que declara, em vocabulário padronizado, que aquilo é um JobPosting e quais são seus atributos. O vocabulário é o schema.org, adotado por todos os buscadores relevantes.

Os campos que decidem

O padrão define dezenas de campos. Na prática, cinco decidem se a vaga entra ou não nos resultados de busca por emprego:

  • title — o cargo, sozinho. Não o cargo com o nome da empresa, nem com a cidade, nem com "URGENTE". Cada acréscimo dilui a correspondência com o que a pessoa digitou.
  • description — a descrição completa, em HTML. Um resumo de duas linhas costuma ser tratado como conteúdo insuficiente.
  • datePosted — a data de publicação. Sem ela, o buscador não sabe se a vaga é de ontem ou de dois anos atrás, e o comportamento padrão é assumir o pior.
  • hiringOrganization — quem contrata.
  • jobLocation — a cidade e o estado, em campos separados. "Cascavel/PR" escrito num campo de texto livre não é lido como localidade.

Há ainda um sexto que não é obrigatório e resolve um problema comum: validThrough, a data em que a vaga expira. Sem ele, uma vaga preenchida há seis meses continua sendo oferecida a candidatos — e o volume de candidaturas para vagas encerradas é uma das maiores fontes de irritação em processos seletivos.

Como conferir a sua

A verificação leva dois minutos e não exige nenhuma ferramenta paga. Abra a página de uma vaga sua, veja o código-fonte e procure por application/ld+json. Se não houver nenhuma ocorrência, a página não declara vaga nenhuma — é este o caso da maioria.

Havendo o bloco, o passo seguinte é conferir se ele está bem formado. O Google mantém um teste de resultados enriquecidos que aponta campos ausentes e erros de sintaxe. Um bloco com erro é frequentemente pior do que bloco nenhum: ele declara a intenção e falha na execução.

Onde isso costuma quebrar

Três padrões respondem pela maior parte dos casos em que o bloco existe e ainda assim não funciona.

A vaga é carregada por JavaScript depois da página. Páginas construídas em torno de um sistema de recrutamento externo frequentemente carregam as vagas em um segundo momento, por requisição do navegador. O conteúdo aparece para a pessoa e não existe no HTML que o buscador recebeu. A solução costuma estar no próprio sistema de recrutamento, que quase sempre oferece uma página hospedada por ele — indexável — como alternativa à incorporação.

Todas as vagas dividem a mesma URL. Se abrir uma vaga não muda o endereço do navegador, não há o que indexar: existe uma página só, e o buscador não tem como enviar alguém diretamente para a vaga de auxiliar administrativo. Cada vaga precisa de endereço próprio.

A vaga sai do ar e a página some. Quando uma vaga é encerrada, o endereço dela deve responder que a vaga existiu e acabou — e não que nunca existiu. A diferença é técnica e tem consequência prática: no primeiro caso a página sai do índice em poucos dias; no segundo, o buscador tenta de novo por semanas e continua enviando candidatos.

O que muda quando funciona

Uma página de carreiras corretamente estruturada passa a receber tráfego de busca por cargo — que é como a maior parte das pessoas procura emprego. Ela também se torna legível para agregadores e portais de vagas, que usam exatamente o mesmo formato para descobrir anúncios: publicar uma vez, no seu site, passa a valer por várias divulgações.

É um trabalho de configuração, não de conteúdo. Feito uma vez, vale para todas as vagas seguintes — e é dos poucos ajustes de divulgação cujo efeito não depende de orçamento.

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