Quase toda empresa de porte médio tem uma página de "trabalhe conosco". Quase nenhuma delas aparece quando alguém busca por uma das vagas que estão publicadas ali. A causa costuma ser atribuída ao texto, ao domínio ou à concorrência dos grandes portais — e quase nunca é isso. É que a página não diz ao buscador que aquilo é uma vaga.
O buscador não lê a página como você
Uma pessoa que abre a página entende, em dois segundos, que aquela lista é de vagas abertas: há um cargo em negrito, uma cidade ao lado e um botão de candidatura. Nada disso é evidente para um programa. Para ele, aquilo é um conjunto de textos dentro de caixas — e "Analista Fiscal" tem exatamente o mesmo estatuto que o nome de um produto, de um artigo do blog ou de um membro da diretoria.
Para que a página seja tratada como uma lista de vagas, cada anúncio precisa vir
acompanhado de uma descrição em formato de dado: um bloco em JSON-LD
que declara, em vocabulário padronizado, que aquilo é um JobPosting e quais
são seus atributos. O vocabulário é o schema.org, adotado por todos os buscadores
relevantes.
Os campos que decidem
O padrão define dezenas de campos. Na prática, cinco decidem se a vaga entra ou não nos resultados de busca por emprego:
title— o cargo, sozinho. Não o cargo com o nome da empresa, nem com a cidade, nem com "URGENTE". Cada acréscimo dilui a correspondência com o que a pessoa digitou.description— a descrição completa, em HTML. Um resumo de duas linhas costuma ser tratado como conteúdo insuficiente.datePosted— a data de publicação. Sem ela, o buscador não sabe se a vaga é de ontem ou de dois anos atrás, e o comportamento padrão é assumir o pior.hiringOrganization— quem contrata.jobLocation— a cidade e o estado, em campos separados. "Cascavel/PR" escrito num campo de texto livre não é lido como localidade.
Há ainda um sexto que não é obrigatório e resolve um problema comum:
validThrough, a data em que a vaga expira. Sem ele, uma vaga preenchida
há seis meses continua sendo oferecida a candidatos — e o volume de candidaturas
para vagas encerradas é uma das maiores fontes de irritação em processos seletivos.
Como conferir a sua
A verificação leva dois minutos e não exige nenhuma ferramenta paga. Abra a página
de uma vaga sua, veja o código-fonte e procure por application/ld+json.
Se não houver nenhuma ocorrência, a página não declara vaga nenhuma — é este o caso
da maioria.
Havendo o bloco, o passo seguinte é conferir se ele está bem formado. O Google mantém um teste de resultados enriquecidos que aponta campos ausentes e erros de sintaxe. Um bloco com erro é frequentemente pior do que bloco nenhum: ele declara a intenção e falha na execução.
Onde isso costuma quebrar
Três padrões respondem pela maior parte dos casos em que o bloco existe e ainda assim não funciona.
A vaga é carregada por JavaScript depois da página. Páginas construídas em torno de um sistema de recrutamento externo frequentemente carregam as vagas em um segundo momento, por requisição do navegador. O conteúdo aparece para a pessoa e não existe no HTML que o buscador recebeu. A solução costuma estar no próprio sistema de recrutamento, que quase sempre oferece uma página hospedada por ele — indexável — como alternativa à incorporação.
Todas as vagas dividem a mesma URL. Se abrir uma vaga não muda o endereço do navegador, não há o que indexar: existe uma página só, e o buscador não tem como enviar alguém diretamente para a vaga de auxiliar administrativo. Cada vaga precisa de endereço próprio.
A vaga sai do ar e a página some. Quando uma vaga é encerrada, o endereço dela deve responder que a vaga existiu e acabou — e não que nunca existiu. A diferença é técnica e tem consequência prática: no primeiro caso a página sai do índice em poucos dias; no segundo, o buscador tenta de novo por semanas e continua enviando candidatos.
O que muda quando funciona
Uma página de carreiras corretamente estruturada passa a receber tráfego de busca por cargo — que é como a maior parte das pessoas procura emprego. Ela também se torna legível para agregadores e portais de vagas, que usam exatamente o mesmo formato para descobrir anúncios: publicar uma vez, no seu site, passa a valer por várias divulgações.
É um trabalho de configuração, não de conteúdo. Feito uma vez, vale para todas as vagas seguintes — e é dos poucos ajustes de divulgação cujo efeito não depende de orçamento.